Uma criança que continua molhando a cama é motivo freqüente de consultas médicas. Essas perdas noturnas, quando não acompanhadas de infecção urinária, alterações dos órgãos do sistema (detectáveis, habitualmente, por ultrasom), problemas neurológicos, sintomas diurnos, podem representar o que chamamos de enurese noturna primaria monossintomática (doravante só enurese, é cansativo digitar este nome enorme).
O fato é que o controle noturno não tem um momento fixo. Há um gradual aumento das taxas de controle conforme a idade da população estudada. Aos 5 anos, cerca de 20% das crianças tem enurese; aos 7, 7%; aos 10, 5%; aos 15, 2%; e após 18, de 0,5 a 1% (dados da Holanda).
Muito já se disse ou se fez, mas o que parece ocorrer é um defeito genético (genes 13q e 12q). Crianças cujos pais não tiveram enurese tem 15% de chance de perder urina à noite, e, em contrapartida, filhos de pais que tiveram um dos pais com enurese tem 44% de probabilidade, sendo que com os dois pais acometidos a chance sobe para tem 77%. A hipótese está associada à síntese alterada de uma proteína, a aquaporina 2 (descrita por Peter Agre, 2003, que recebeu um prêmio Nobel por este trabalho), que participa da regulação da concentração urinária. A aquaporina faz aumentar a concentração urinária em resposta ao Hormônio Anti-Diurético, sintetizado no Hipotálamo (núcleo paraventricular) e liberado na Hipófise Posterior. As crianças produzem uma quantidade maior de urina à noite e não conseguem se levantar para urinar (não há relação com a fase do sono em que a criança se encontra). A enurese costuma ocorrer em famílias e tem resolução espontânea a uma taxa de 15% ao ano, geralmente cessando na idade que os outros membros da família também cessaram a perda noturna. Existem tratamentos comportamentais e farmacológicos, que geralmente não influenciam o curso da doença.
A pergunta é: em que momento devo levar o (a) pequeno (a), que ainda molha a cama, para o urologista? Não é uma pergunta tão fácil, mas, na ausência de outros complicadores, como mostrado acima, aos 7 anos.
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Podemos perder urina de quatro maneiras.
A bexiga está sempre cheia, a pressão dentro dela é alta, superando a pressão na uretra gerada pelo esfíncter, e a urina sai, gotejando continuamente.
O esfíncter é fraco, e aumentos na pressão do abdome, por tosse, levantar um peso, levam a perda de urina, naquele momento.
A bexiga se contrai quando não deve, ou seja, quando estamos fora de um local apropriado, o esfíncter não é capaz de superar a pressão, e a urina sai, usualmente com sensação de urgência.
A urina sai por uma via anormal, como um ureter que desenboca diretamente na vagina, continuamente.
Todas estas perdas podem ocorrer em crianças, sendo mais frequente a perda por urgência. Perdas urinárias, após o período de controle esfincteriano, podem sinalizar um problema grave e exigem atenção médica.
Não hesite.